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outubro 04, 2009

Não precisa de título




"Não dá pra entender
Fica longe do inteligível
Leitura de um antigo manuscrito em sânscrito
Você olha e só o que percebe é a cor
e o tom de luto ou pranto


Mas eu gosto dessa atmosfera menos diplomática
Nada se vê antes no mundo estranho da Senhora Espanto
pra mim: conforto e não confronto
Foram muitas as crises asmáticas
pelas quais passei


Eu olho
Me exploro por uma atitude
Energia vem
Mas é limada
Limitada a simplesmente me anular


Eu chuto pro gol
É alguém parecido comigo que desvia
Sou meio polícia e ladrão convivendo
no mesmo endereço
Em constante guerra por minha autonomia


Eu crio superstição de intimidação
Como os astros relatam que seria

Eu gosto da ideia de gostar da sua ideia

É ótimo a falta de velas à mesa
de velado já basta meu encejo
Creio nessa diretriz certeira
da verdade a cima de tudo e na hora


Um papel, uma caneta

e um cérebro,

Alimento fálico

Para o cálice de veneno

em cima do piano


Senão embaixo do pano

O cinzeiro continua sujo

O sol nada ameno

a pino

Sua...


Em uma noite o dia
vai acabar
Eles se esquecem
Mas caramujos do deserto social aparecem
banhando-se em sal


Não é o sentido
mas o sentir


As coisas precisavam
ser assim

como serão


Eu queria mexer os lábios
conforme minha mente manda
Mas existem coisas que não devem ser ditas


Declarações que a intimidade já diz
Estou confuso como você
por um triz


Seu cheiro começa a ter um significado
Na minha cabeça frases e gemidos abafados
Tentam explicar o inexplicado
Mas se decidir é tão fácil


Deixar ir e vir

sem se ocupar

Deixar irevir

e ver no que vai dar"

sem regras e com sono falou: Cabeça de Adon Fonemas (05:56 a.m)