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dezembro 23, 2010

Pense e Pare de Pensar


.Eu.
Que sou eu,
Senão confidente de mim mesmo?
Por que não então,
Ser sincero o máximo que conseguir?

É preciso coragem,
Para rever a si próprio.
Se desmantelar,
Se dissecar ,
E colocar as peças num microscópio.
Dentro de um quebra-cabeças desmontado.

Tipo quando o cofrinho se quebra
Para a conta das moedas.
Só assim para compreender o que se entendeu,
E o que se deixou de viver.

Escolher é sempre renegar.
Tudo é fim e recomeço,
Tudo dói ou sorri,
Tem um preço.
Você ja ia pagar mesmo,
Exija nota fiscal.

Que sou eu,
Senão um conjunto de orgãos consciente?
Da própria memória fico a par,
Mas quão bizarro são os achismos da minha mente?

O estranho me é peculiar.
Diante desse discurso libertador,
Os que estão para nascer,
Já estão mortos.
Procriar acaba por ser uma dor,
Ignorância um alívio.

Por mais que possa ser lúdica,
A consciência é uma via de mão única.
Mas não sou eu que a sou!
Sou um morto!

Viver nesse contexto,
É o mesmo que estar aqui,
Mas ao mesmo tempo,
Saber que um dia vou esquecer,
Que pude perceber,
Que existi.
.

agosto 02, 2010

Minha escrita continua viva. Dizem que pareço o mesmo, mas mudar é uma condição inerente.
Olhei pela janela e vi uma ambulância parada no prédio da frente, foi o suficiente pra mim...

Estampido!
Mais um corpo cai,
em desuso ninguém liga.
Quantos botões você aperta por dia?
.
Um primeiro é no despertador
seguinte a luz
vai contando
cortando o ponteiro
serrando o ritmo natural
.
Um bater de portas de uma van.
O vizinho vai se deixar levar pela idade.
A maca desafia a questão.
Ele vai careca,
deitado com as mãos no peito,
em seu leito de vida.
.
A foice brilha.
Morte sorria.
Isso deveria se comemorar.
Não range os dentes,
nem se entorta aos prantos.
Se foi.
.
Ficam apenas as ondas de uma consciência no mar quântico que nos é permitido ser.
Quanta ânsia se vai,
Engasgado com uma ervilha.
Fim da pilha.
Jogo acabou.
...
® Lucas Adon

novembro 11, 2008

O INCONCEITUADO

Porque eu continuo? A linguagem me prende a realidade, as palavras me fazem perceber o significado que não está em nenhum desses símbolos toscos que tentam descrever a verdade, ou a minha verdade. O bacana é que não existe verdade a partir do momento que vc decide o que é verdade, porque ela está além da mente, ela não é os caminhos da estrutura. É algo, é nada, é tudo, O INCONCEITUADO!
Eu quero
É preciso amortecer a queda
E lembrar que não tenho
Ninguém pra dizer isso

Momento maldito
A liberdade é um caos desgovernado
Num sistema político enrustido

A revolução não será sequer imaginada
Imagine
Esta merda é necessária

Se eu quisesse eu poderia ser seu bonequinho
Deixando você brincar comigo
Atuando num cemitério
Blasfêmias num ritual antigo

Finja não ter memória
Você não sabe o que sabe
Vai com calma
Torça pela morte
Eu quero suicídio em massa
Pronto, já passou

Temos um pequeno intervalo
Entre o choro: a grande expectativa
E o descaso: o nada enrugado

Vista-se de preto
Aproveite
Não tenha medo
Sorria, pareça viva
É unico, é púdico
È macrominúsculo
O INCONCEITUADO